Noticias
‘Nossa proposta é reduzir Estado e eliminar privilégios’
  • ‘Nossa proposta é reduzir Estado e eliminar privilégios’

Alvaro Dias (Podemos)

Senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto

Em entrevista, senador paranaense afirma se encaixar no perfil esperado pela população do próximo candidato à Presidência da República: um nome com “experiência na gestão pública e que tem passado limpo”.

O que o motivou a se lançar como pré-candidato?

O Brasil vive um momento crucial para seu futuro e as pessoas conscientes devem contribuir na política ou fora dela. A participação agora, o protagonismo, é questão de responsabilidade. O país está mergulhado num oceano de dificuldade, e a escolha infeliz pode significar a reedição dessa tragédia.

O que seria a escolha infeliz?

Algo que fuja aos pressupostos básicos: experiência administrativa e passado limpo. A escolha adequada é aquela que possibilite uma ruptura com o sistema atual, que fracassou e levou o país ao caos administrativo. O Estado brasileiro cresceu exageradamente, empobreceu como gestão, porque os partidos passaram a indicar com objetivos escusos, sem critérios de competência, probidade, e se estabeleceu relação de promiscuidade entre os Poderes. O Brasil ficou desarrumado, e a necessidade de arrumação passa pela refundação da República.

A revista “Veja” traz informação de que a Polícia Federal obteve cópia de e-mail do empresário Samir Assad para a Odebrecht no qual este afirma que o senhor pediu R$ 5 milhões para não levar adiante a CPI que apurava as atividades do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em 2012. O que o senhor diz sobre essa acusação?

É uma armação descabida porque, para quem acompanhou o meu desempenho nessa CPI, isso soa como uma vingança. Porque, na verdade, fui eu quem criei os problemas todos, encaminhei para a PF, inclusive, um relatório bastante robusto mostrando os caminhos das pedras, de onde saiu o dinheiro, para onde ia, as empresas laranjas, que eram criadas, inclusive, por esse cidadão, que não me lembro de ter visto. Teve uma matéria da “Veja” anterior à CPI em que interpelei judicialmente o (empresário Fernando) Cavendish (ex-dono da Delta Construções) porque ele disse de forma totalmente irresponsável que ele comprava senadores, e eu pedi que ele dissesse quem eram os senadores.

Por que o senhor poderia representar um ruptura do sistema?

Sempre fui contestador da chamada velha política. Por isso, quase sempre fiquei desconfortável no ambiente partidário, razão das várias mudanças de siglas. Digo que nunca mudei de partido, e sim de sigla, porque partidos não temos, e mudei de sigla à procura de um partido que não encontrei até hoje. Agora, me encontro num movimento. Mudei de sigla para não barganhar meus princípios. Em 2010, imaginei que alguém propusesse ruptura; em 2014, também, mas não aconteceu, então me senti no dever de fazer isso.

De que forma isso seria feito?

Nossa proposta é de substituição desse sistema com todas as consequências, redução do tamanho do Estado, do Legislativo e eliminação de privilégios. Também defendo reformas essenciais: a reforma política, do Estado, federativa, tributária e previdenciária. Elas devem estar colocadas para debate e deliberação nos primeiros cem dias de governo, porque assim você traz o calor das urnas.

Mesmo no PSDB, durante boa parte da gestão do governo FHC o senhor atuou como oposição.

Na verdade, durante os 42 anos de mandato que já exerci, só fui governo quando governei o Paraná, obviamente, e depois sete meses no segundo mandato do FHC. De resto, fui oposição justamente por não compactuar com o modelo da barganha permanente. Quando Lula se elegeu, eu estava no PDT, tinha deixado o PSDB em razão de uma trombada com o partido, porque participei de um movimento que pretendia instalar CPI para investigar corrupção, e isso não foi absorvido pelo partido. Acabei indo para o PDT, e assim que Lula se elegeu e o PDT foi para o governo, eu me retirei. É um comportamento bem diferente da maioria dos políticos brasileiros, cuja cultura é do fisiologismo. Nós vemos os políticos sempre como manadas de elefantes correndo para a sombra do poder. Por isso, me sinto autorizado a propor essa ruptura.

E mesmo tendo essa trajetória na política, passando por partidos tradicionais, o senhor acha que pode ser visto como alternativa a esse modelo?

A sociedade não está buscando o candidato alternativo, mas o modelo alternativo, e quer identificar quem tem mais condições de dar sustentação ao modelo novo. Creio que a experiência administrativa será da maior valia para o sucesso dessa empreitada.

Como é ser oposição atualmente ao governo Temer? Com o cenário embaralhado é mais difícil?

Sim, é uma postura de complexidade porque, como nós defendemos o impeachment da ex-presidente Dilma (Rousseff), há aqueles que admitem responsabilidade em relação ao sucessor. Eu defendia o impeachment completo, foi a gota d’água, inclusive, que transbordou e fez com que eu deixasse o PSDB (pela segunda vez), que tinha posicionamento de aliança com o MDB. Eu advogava pelo impeachment também do presidente (Temer). Por isso, vejo o atual governo como o mesmo governo, o mesmo conjunto de agentes públicos administrando o país, que foram sócios da tragédia.

O senhor acredita na candidatura do presidente Michel Temer?

Seria surreal uma candidatura do presidente Temer com a rejeição. Eu não creio. Acho que é apenas uma encenação, obra do marketing oficial para garantir sobrevivência até o final do mandato.

Em relação aos outros candidatos, o senhor acha que tende para uma radicalização?

A bipolarização fica para o segundo turno. No primeiro turno teremos a pulverização, o debate de ideias. A disputa da extrema esquerda com a extrema direita se esgotou. Os brasileiros exigem dose mais forte de pragmatismo em vez dessa discussão esquizofrênica entre extrema esquerda e extrema direita. Que briguem os extremados, mas a maioria dos brasileiros deseja equilíbrio.

Acha que Geraldo Alckmin pode crescer nas pesquisas mesmo após escândalos de corrupção envolvendo o PSDB?

É essencial a substituição desse sistema. Não se trata de condenar pessoas, mas de substituir um sistema que fracassou, que empurrou o país para essa tragédia. Não é só o caso do Alckmin. Esse sistema foi implantado em Brasília e foi clonado e transplantado para Estados e municípios de um modo geral. Não sou anti-Alckmin, sou antissistema.

Sem Lula, como o sr. vê a esquerda?

A esquerda ficou abalada, vai ter de procurar um “plano B”. A esquerda inicia o processo fragilizada, acredito que haverá uma pulverização, e esses votos poderão migrar para outras candidaturas.

Como viabilizar a candidatura em um partido de menor expressão como o Podemos?

Acho que a imprensa vai oferecer espaço para o debate, e nós teremos oportunidade de compensar eventual desigualdade de tempo no horário gratuito da TV e do rádio. Não podemos comprometer nossa proposta com essa ambição de tempo maior para apresentação da mensagem na campanha. Podemos fazer aliança desde que não desvirtue nossa proposta, não traga incoerência.


O Tempo/Liberdade FM - Foto - Divulgação

12/03/2018/ 09:30:07
Outras Notícias
  • Brasil vence a Costa Rica com gols no fim e desencanta na Copa
Brasil vence a Costa Rica com gols no fim e desencanta na Copa
22/06/2018/ 13:25:25

Com muito drama, muita dificuldade e tensão o Brasil conquistou sua primeira vitória na Copa do Mundo da Rússia na manhã desta sexta-feira (22). Superando uma barreira de forte marcação da Costa Rica, a Seleção Brasileira venceu por 2 a 0 em São Petersburgo e assumiu a liderança provisória do Grupo E com quatro pont...

  • Puxada por greve, energia e gasolina, prévia do IPCA atinge 1,37%
Puxada por greve, energia e gasolina, prévia do IPCA atinge 1,37%
22/06/2018/ 13:23:55

A disparada do preço da gasolina nos postos de combustível, principalmente após o término da greve dos caminhoneiros, e a alta da tarifa de energia elétrica levaram a prévia da inflação oficial na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) a atingir neste mês o maior percentual desde 2012 entre as 11 áreas pesqui...

  • Em nova fase, 'Lava Jato' prende ex-diretor da Petroquisa
Em nova fase, 'Lava Jato' prende ex-diretor da Petroquisa
22/06/2018/ 13:22:47

Foi deflagrada na quinta-feira (21) a Operação Greenwich, 52.ª fase da 'Lava Jato', para a apuração de crimes contra subsidiárias da Petrobras. Entre os presos está o ex-diretor de Novos Negócios da Petrobras Química S/A (Petroquisa) Djalma Rodrigues de Souza. A prisão preventiva foi autorizada pelo juiz da 13.ª Var...

  • Caixa volta atrás e mantém pagamento de conta de luz em lotéricas, por enquanto
Caixa volta atrás e mantém pagamento de conta de luz em lotéricas, por enquanto
22/06/2018/ 13:21:26

A Caixa Econômica Federal voltou atrás e enviou comunicado aos lotéricos informando que eles poderão manter o pagamento de boletos da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Na mensagem, o banco público informa que abriu negociações com a Cemig e que, enquanto elas não forem concluídas, o pagamento poderá...

  • Aprovado em exames, Emre Can assina contrato de quatro anos com a Juventus
Aprovado em exames, Emre Can assina contrato de quatro anos com a Juventus
22/06/2018/ 13:19:32

Pouco depois de ser aprovado em exames médicos realizados horas mais cedo, o meio-campista Emre Can assinou contrato de quatro anos com a Juventus nesta quinta-feira (21). O jogador alemão terminará de cumprir o seu contrato com o Liverpool no próximo dia 30 e, consequentemente, ficará livre para atuar pela sua nova...

  • Brasileiro trabalha 4 vezes mais que alemão pra comprar camisa da Seleção, aponta pesquisa
Brasileiro trabalha 4 vezes mais que alemão pra comprar camisa da Seleção, aponta pesquisa
22/06/2018/ 13:17:45

SÓCHI (Rússia) - A Seleção Brasileira e o time da Alemanha já podem se enfretar logo de cara nas oitavas da Copa do Mundo, fazendo um "revival" dos 7 a 1. Mas, antes desta possível vingança, o Brasil levou outra goleada dos germânicos. Utilizando o salário mínimo como base, um estudo chegou à conclusão: o brasileir ...