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Trump alega 'crise humanitária' ao defender muro com o México
  • Trump alega 'crise humanitária' ao defender muro com o México

O presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu a construção do muro com o México em pronunciamento na noite de terça-feira (madrugada de quarta, no Brasil). Ele disse que há uma crise humanitária e de segurança na fronteira e voltou a culpar os democratas pela paralisia orçamentária.

"Meus compatriotas americanos, esta noite estou falando com vocês porque há uma crescente crise humanitária e de segurança em nossa fronteira sul", declarou em discurso solene, em horário nobre e em rede nacional de televisão.

Trump apresentou números sobre a entrada de imigrantes ilegais e de entorpecentes. E, novamente, ele pediu US$ 5,7 bilhões para levantar “uma barreira de aço, ao invés de cimento”.


"Nossa fronteira sul é passagem para uma grande quantidade de drogas ilegais, incluindo metanfetamina, heroína, cocaína e fentanil. A cada semana, 300 dos nossos cidadãos morrem apenas pela heroína", destacou.

O presidente americano também atacou a oposição: “quanto sangue americano terá que ser derramado até que o Congresso aprove?”.

O discurso de Trump é uma tentativa de convencer os americanos de que o muro na fronteira com o México, que custará mais de US$ 5 bilhões, é fundamental para a segurança do país.

Por causa desse projeto, Trump trava uma queda de braço com o Congresso, que resultou na suspensão do financiamento de setores do governo. O presidente exige que os congressistas incluam a verba para o muro no orçamento do próximo ano e se recusa a assinar qualquer projeto sem essa cifra. Mas a maioria democrata da Câmara não concorda.

A paralisação parcial da administração e o congelamento de salários, chamado de 'shutdown', entrou no 19º dia e afeta 800 mil funcionários federais.

Sem emergência nacional

Trump não declarou emergência nacional durante o discurso - como alguns especulavam-, o que lhe permitiria usar verbas destinadas a obras militares para construir o muro e driblar o impasse com o Congresso. A iniciativa estaria sujeita a ser imediatamente impugnada na Justiça.

A lei de emergência já foi adotada em várias ocasiões, como na presidência de George W. Bush (após os atentados de 11 de setembro de 2001) e pela administração de Barack Obama (durante a epidemia de gripe H1N1 para suspender algumas disposições do sigilo médico).

O presidente americano convidou as lideranças do Congresso para uma reunião nesta quarta-feira, na Casa Branca.

Violência

"Todos os americanos são feridos pela imigração ilegal descontrolada", disse Trump.

Do Salão Oval da Casa Branca, o presidente também evocou os perigos enfrentados durante os imigrantes durante a travessia.

"Uma em cada três mulheres é sexualmente atacada na perigosa caminhada pelo México. As mulheres e as crianças são, de longe, as maiores vítimas do nosso sistema fragmentado. Esta é a trágica realidade da imigração ilegal na nossa fronteira sul."

As estatísticas e os números apresentados durante o discurso são questionados pela oposição e pela imprensa. Segundo o "New York Times", que transmitiu o pronunciamento ao vivo em seu site e confrontou as frases de Trump com serviço de checagem de fatos, alguns dados são enganosos.

De acordo com o jornal, apesar do tráfico de heroína pela fronteira sul dos EUA, outras drogas são enviadas diretamente da China por entradas legais.

Trump disse ainda que os EUA não conseguem mais acomodar imigrantes que entram ilegalmente no país. "Estamos sem espaço para segurá-los e não temos como devolvê-los de volta ao país deles", disse.


Oposição democrata

Chuck Shummer e Nancy Pelosi, líderes democratas  — Foto: REUTERS/Jonathan ErnstChuck Shummer e Nancy Pelosi, líderes democratas  — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

Chuck Shummer e Nancy Pelosi, líderes democratas — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

Imediatamente após o discurso de Trump, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, e a presidente da Câmara Baixa, Nancy Pelosi, reagiram às declarações do presidente e exigiram que o governo fosse reaberto.

Também em rede nacional, os líderes democratas afirmaram que Trump não poderia continuar tratando os americanos como reféns.

"O presidente Trump deve parar de manter o povo americano como refém, deve parar de fabricar uma crise e deve reabrir o governo", afirmou Pelosi.

Chuck Schumer afirmou também que é favorável a mais segurança na fronteira dos EUA com o México, mas que o muro é desnecessário.

"Os democratas e o presidente querem uma segurança mais forte nas fronteiras. No entanto, discordamos fortemente do presidente sobre a maneira mais eficaz de fazê-lo", disse Chuck Schumer.

Tema central

 Um homem hondurenho caminha pelo topo do muro na fronteira que separa o México e os Estados Unidos, em Tijuana, no México — Foto: Gregory Bull/AP Um homem hondurenho caminha pelo topo do muro na fronteira que separa o México e os Estados Unidos, em Tijuana, no México — Foto: Gregory Bull/AP

Um homem hondurenho caminha pelo topo do muro na fronteira que separa o México e os Estados Unidos, em Tijuana, no México — Foto: Gregory Bull/AP

Trump fez da construção do muro o tema central de suas políticas de tom nacionalista. Desde a campanha eleitoral, afirma que a fronteira com o México é uma porta aberta para os criminosos, inclusive narcotraficantes, estupradores, terroristas, pessoas com doenças perigosas e falsos solicitantes de asilo.

Os democratas acusam Trump de inflar a "crise" na fronteira e consideram que o muro é uma manobra política que não vale o dinheiro que exigiria dos contribuintes.

Além do pronunciamento desta quarta, Trump visitará a fronteira dos Estados Unidos com o México na quinta-feira (10), em mais uma tentativa de pressionar o Congresso sobre as negociações sobre o muro.

'Shutdown'

Museu Nacional do Ar e do Espaço, do Instituto Smithsonian, fechado na sexta (4). — Foto: AP Photo/Alex BrandonMuseu Nacional do Ar e do Espaço, do Instituto Smithsonian, fechado na sexta (4). — Foto: AP Photo/Alex Brandon

Museu Nacional do Ar e do Espaço, do Instituto Smithsonian, fechado na sexta (4). — Foto: AP Photo/Alex Brandon

Cerca de 800 mil funcionários federais foram afetados pela paralisação parcial de agências da administração do governo, o chamado 'shutdown', que ocorre desde 22 de dezembro. Essas agências estão sem recursos e os funcionários impactados sofrem com o atraso de seu pagamento.

Algumas agências de pesquisa americanas — como a Fundação Nacional de Ciência (NSF, em inglês) e até a própria Nasa, a agência espacial dos EUA, vêm sofrendo com a falta de fundos.

Trump disse na sexta-feira que está "preparado" para que a paralisação orçamentária se estenda por mais de um ano, após uma reunião com os líderes democratas do Congresso para tentar alcançar um acordo.

G1/Liberdade FM - Foto - Divulgação

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